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A Arte de Ser Pai

Vamos começar com uma ressalva popular: pai é quem cria. Não pretendo discorrer sobre herança genética, inseminação artificial, bancos de esperma, maridos traídos, nada disso. Quero falar de quem cria, ponto final.

Criar um filho, no sentido mais amplo, que não seja apenas acasalar um óvulo com o espermatozóide, é uma arte, tanto quanto qualquer outra arte, até porque emprestamos também o vocábulo da ?criação?, eminentemente uma expressão artística que encerra o dom da imaginação. Nesses tempos de politicamente correto também quero deixar claro que a expressão ?pai? que usamos no texto não se refere apenas à entidade do sexo masculino, mas no seu sentido plural, incluindo assim todas as mães. Podem atuar conjuntamente (o ideal) ou, sinais dos tempos, cada um independente do outro. Não importa, estamos falando da arte de criar, filhos.

Como em qualquer processo artístico, não existe uma fórmula pronta, não há padrão único, mas percebemos que essa arte também empresta noções de outras, de tal forma que a podemos classificar segundo escolas. Por exemplo, há pais ?parnasianos? que seguem uma rígida métrica para educar seus filhos. Por outro lado os ?modernistas? acreditam que é preciso total liberdade nesse processo criativo, sem regras muito rigorosas. Já os ?concretistas? são do tipo que não precisa falar muito, são concisos, mas nos gestos e exemplos são capazes de dizer tudo que pensam. Há ainda os ?minimalistas? para quem repetir sempre as mesmas lições é a chave da boa educação. ?Dodecafônicos? são os pais que julgam que romper os padrões e buscar uma nova ordem é suficiente para criar filhos saudáveis. E por aí vai, são muitos os estilos de pais, são muitos os padrões artísticos, portanto não vamos acreditar que há uma forma correta de criar nossos filhos. Cada um deve descobrir o seu estilo, aquele que condiz com sua personalidade e aprofundar-se nele.

Outro ponto de similaridade entre essa e outras artes diz respeito ao talento, ao dom. É certo que muitas pessoas nascem com o dom de ser pai, o que naturalmente facilita a tarefa. No entanto, mais que o dom, a inspiração, é preciso mesmo transpiração. Essa não é uma função pra gente acomodada, não pode ser delegada. Você pode até ter uma equipe pro trabalho braçal, mas cabe a você a direção do processo, não há como não arregaçar as mangas. Educar é cansativo, exige repetição sistemática, é uma rotina como um trabalho qualquer. Assim como escrever, pintar ou atuar. Não existe aquela figura romântica do artista inspirado que vive em pleno diletantismo esperando a inspiração chegar. É um trabalho permanente de conhecimento, estudo, percepção, análise, acompanhamento. Arte também é ciência.

Paixão, isso sim é fundamental. Você não será um artista completo se não for apaixonado pelo que faz, se não tiver tesão pela sua obra (opa, não falo de incesto). Paixão é mola mestra, é essencial. Todo verdadeiro artista é um apaixonado pelo que faz. Educar e ver crescer o fruto dessa arte é apaixonante. Não basta falarmos de amor filial, isso é genético. É preciso paixão pelo processo, pela arte. É preciso estar envolvido no relacionamento, participar ativamente, sentir-se responsável. Mesmo que haja transpiração e dor, mesmo que seja extenuante e repetitivo, é preciso estar envolvido sempre com prazer. Filho não é obrigação, é amor. Esse amor nos leva a fazer concessões antes impensáveis. É por amor que trocamos farras, baladas, festas pela presença constante ao lado deles. É por amor que abrimos mão de alguns velhos hábitos por novos comportamentos. Não é obrigação, não pode ser obrigação, caso contrário você estará transferindo frustrações a quem não tem culpa alguma. Participar, acompanhar, estar presente é absolutamente necessário para completar sua obra, mas não pode ser uma resignação muda, tem que ser ardentemente desejada.

Faz-se uma ressalva, você não é artista 24hs por dia, você não é pai 100% do tempo, caso contrário estaremos diante de uma situação neurótica. Você deve continuar sendo marido, esposa, profissional, cidadão, amigo, parente, enfim, somos um todo. Uma parte não pode prevalecer sobre a outra. O equilíbrio dessas atuações é que torna a vida plena e maravilhosa.

Por fim o mais importante, a obra acabada, nossos filhos. Pode-se questionar para quê serve a obra de arte, ou para quê servem os filhos. Pode-se dizer que é um meio de garantir sustento, faz-se obras para vender e filhos para garantir sua velhice. Pode-se atingir a imortalidade nas páginas dos livros ou com seu DNA preservado. Pode-se angariar respeito e admiração. Podemos discutir vários argumentos mas prefiro me ater a um. Fazemos filhos para que o mundo seja melhor.

Todo o conhecimento que acumulamos em milhares de gerações será repassado aos nossos filhos. A genética faz sua parte sem nossa intervenção espontânea. O papel que nos cabe é, através da educação, transmitir aos nossos filhos informações que possibilitem a continuidade da evolução de nossa espécie. Não falo de informações científicas (a escola, com nosso apoio, deve cuidar disso), mas principalmente de questões ligadas ao caráter, à personalidade. Falo de princípios, de ética, de valores que possam ser aperfeiçoados para que nossa vida nesse planeta possa cada vez mais ser guiada pala tolerância, pela convivência harmônica, pela generosidade, pela civilidade, pelo respeito ao próximo, pela honestidade, pela evolução do princípio de comunidade. Não estamos sós, vivemos cercados de alguns bilhões de seres similares e só a evolução nas relações entre os iguais é que pode garantir a eternidade. Para isso vivemos.

Celso Eluan Lima
celso@solinformatica.com.br
Diretor
Sol Informática

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