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Orgulho e Preconceito

Uma máquina maravilhosa, causa e conseqüência de milhões de anos de evolução, não poderia ser perfeita, até porque isso significaria o fim da evolução. Para melhor armazenar informações, construir links entre estas, abstrair-se e por fim tirar conclusões o cérebro humano optou por alguns atalhos evolucionistas. Certamente o preconceito é um desses atalhos. Deixemos de lado a conotação pejorativa (até para não sermos preconceituosos) do termo e nos concentremos na sua morfologia: pré conceito, um conceito prévio, uma caixa contendo a definição de algo (nosso dicionário particular), armazenada nos confins do cérebro que recorrermos para emitirmos opiniões, argumentar, nos comunicarmos, fazer analogias, enfim, pensar.

Toda essa elucubração é uma desculpa pessoal que articulei para justificar a sensação que me tomou depois de ver um filme há poucos dias, Paradise Now, uma produção palestina investigando o último dia de dois homens bomba. Eis onde quero chegar. Quando a palavra homem bomba vem à tona, imediatamente nosso cérebro vai buscar naquela caixinha a pré definição que temos para isso. Sai de lá um jovem amalucado, dominado por um fanatismo religioso, esperançoso por encontrar 72 virgens no paraíso, sem noção dos estragos que fará na vida de centenas de pessoas, as vítimas e seus parentes. Presumidamente sem instrução, agressivo por natureza, desesperançado, manipulado por líderes religiosos maniqueístas, um Zé Mané de turbante. Não adianta culpar a mídia dominada pelos israelenses, certamente eles têm sua parte nisso, mas o comodismo do nosso cérebro precisa dessas descrições simplistas para criar uma relação lógica de causa e efeito. Dialética é algo muito complexo, então já que não somos geniais fiquemos com as simplificações que nos ajudam a entender nosso mundo.

E o que salta do filme para calar essa lógica simplista? Os ditos homens bomba são jovens por demais parecidos com o que fomos ou com qualquer outro que encontramos nas ruas. Ambos têm dúvidas, questionam-se a si e aos métodos, sofrem com o medo e suas angústias. Suas famílias não são de fanáticos irracionais, pais e mães como todos os que conhecemos que se preocupam e não têm idéia do que os filhos vão fazer. Preparam almoço, oferecem lanche que serão levados junto com suas bombas. Então, porque fazem algo tão perverso?

O filme não pretende oferecer respostas, a questão é muito complexa e não cabe em definições rápidas nem discursos inflamados. A lógica minimizante precisa ser ampliada para oferecer argumentos e buscar esclarecimentos. Como num avião que cai, precisamos de respostas para evitar novos acidentes. Não é com pré conceitos que se avalia um acidente aéreo caso contrário poucos teriam coragem de subir aos céus, tantos seriam os aviões a continuar caindo. Filmes como esse têm o poder de nos fazer refletir porque caem os aviões e não simplesmente sair jogando a culpa no piloto. O mundo é bem mais complexo do que nosso orgulho e preconceitos (ah, Jane Austen) delimitam.

Celso Eluan Lima

Diretor

Sol Informática


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