Home > Artigos > Detalhe do artigo

Por que sou contra?

Independente do resultado do plebiscito quero deixar minha opinião. A princípio quero dizer que acho legítima a aspiração de um povo ter mais autonomia, afinal as lutas pela independência das nações são a prova inconteste disso. Regiões que a geografia isola e cria dificuldades de toda ordem sentem-se naturalmente rejeitadas. Assim é a Amazônia em relação ao Brasil, assim é nosso país em relação aos países mais desenvolvidos, assim são as regiões que se pretendem autônomas em relação ao Pará. Portanto, não questiono a legitimidade da aspiração separatista.
No entanto, distante dos olhares apaixonados que gritam pela unidade do Pará, sou contra a separação por uma questão de princípios. Não acredito no Estado como solução, não acredito que aumentar a participação do Estado possa efetivamente resolver nossos problemas de infra-estrutura. É uma questão de princípios e teimo em tentar racionalizá-la.
Criar mais dois estados significa criar duas novas estruturas de poder público: dois executivos, dois legislativos e dois judiciários. Mesmo não havendo nenhuma obra relevante, como construção de novas cidades, como foi o caso de Palmas no Tocantins, já que a proposta é aproveitar Santarém e Marabá como novas capitais, isso certamente vai implicar em aumento de custos da máquina do Estado.
Hoje o poder público, o Estado em suas três esferas, municipal, estadual e federal, já consome quase 40% de tudo o que o país produz na forma de impostos que retira da economia. Dessa montanha de dinheiro, praticamente 95% é usado para custeio dessa máquina, principalmente despesas de pessoal ativo e, pior ainda, inativos, e pagamento da dívida. Somente cerca de 5% de tudo que se arrecada podem ser usados em investimentos como estradas, portos, escolas, hospitais, etc.
Ora, com mais duas unidades federativas, os custos da máquina aumentam e só restam duas alternativas: ou aumentam-se impostos, elevando o já absurdo patamar de 40% do PIB, ou reduz-se o montante para investimentos. É o fogo ou a frigideira. Os novos Estados não terão condições de se custear e precisarão de apoio indefinido da União para suas despesas. Ex-territórios como Acre, Amapá e Roraima até hoje ainda vivem de verbas federais. Aliás, excetuando-se os estados do Sul e Sudeste, todos os demais são deficitários e dependem de repasses federais pra fechar suas contas.
Se assim o é, por que aumentar ainda mais o déficit público, por que deixar pras gerações futuras o peso da nossa irresponsabilidade fiscal?
Entendo a angústia de quem vive nessas regiões e sente-se desprestigiado, mas não é com novos estados que teremos esses graves problemas resolvidos. O máximo que conseguiremos é uma nova elite de funcionários públicos e políticos, pois continuaremos a ter os mesmos problemas de falta de recursos, ou melhor, da má gestão de recursos, pois não é a falta deles, já que quase 40% de tudo que produzimos são destinados ao governo, mas a forma irresponsável como se gasta. E não estou falando apenas de corrupção, esse mal endêmico que nos assola como praga há séculos, mas de falta de instrumentos de gestão que possibilitem o recurso chegar onde é necessário e não ser carcomido numa máquina antiquada, inadequada, corrupta, ineficiente.
Se fizermos uma comparação com qualquer sistema físico de geração de energia vamos entender melhor. Se uma máquina consome 95% do combustível pra colocar o motor em funcionamento e apenas 5% para sua atividade fim, imaginem o custo desse monstro que se arrasta e não anda. Assim é o Estado no Brasil, consome 95% de todo o combustível que colocamos nele apenas pra colocar o motor em funcionamento e 5% pra andar alguns míseros quilômetros. Você vai continuar colocando gasolina nesse pangaré velho que não anda nada e só queima óleo?
O que precisamos é melhorar a eficiência dessa máquina e não colocar mais combustível nessa caldeira que só consome e muito pouco produz. Pior, tem mais seis projetos de divisão de outros estados em trâmite no Congresso. Se passar a divisão do Pará outros ficarão mais estimulados, como Piauí, Maranhão, Amazonas, São Paulo, Mato Grosso (de novo) e Bahia. Haja dinheiro pra sustentar essa máquina que pouco produz pra quem paga seu combustível.
Portanto, sou contra a criação de mais estados, não apenas no Pará, não falo como paraense ou com argumentos emocionais, falo como brasileiro. Não aceito queimar mais combustível numa máquina velha e descompensada.

Celso Eluan
07.10.11

Celso Eluan Lima

Diretor

Sol Informática


Volta
 
Home | Candidato | Empresa | Posições | O Comtalento | Notícias | Artigos | Fale conosco
Gestor Copyright© 2006 Gestor Consultoria • Todos os direitos reservados.
Telefone: (91) 3204-1300
Desenvolvimento: Bredi • Criação sob medida