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Cultura da Paz

Alguns definem paz como o período entre duas guerras. A natureza animal do homem é conflitiva, uma permanente demarcação de espaço como qualquer outro animal. Dotados de racionalidade, fomos ao longo da evolução, percebendo as desvantagens e prejuízos do conflito. Foi um longo e penoso aprendizado que ainda não cessou e talvez nunca cesse. É o eterno conflito entre o racional e o irracional, o instinto e a razão, o primitivo e a civilidade, entre o médico e o monstro que tão bem retratou Robert Louis Stevenson no século XIX.
Essa também é a disputa entre a guerra e a paz no nosso interior. Cada um tem dentro de si o seu anjo e seu demônio, disputando espaço pela primazia das nossas ações. Quando vemos as guerras ocorrerem somos tentados a imaginá-las como fruto de almas perversas que as provocaram, os grandes líderes que encarnam o Mal. Até os apóstolos e profetas definiram essa personificação do que de pior pode existir, o Demo, Satanás ou qualquer outro nome que lhe seja atribuído.
Ocorre que estas encarnações do espírito maligno não agem sorrateiramente e isolados, manipulando seres inocentes como no comando de uma grande máquina de guerra. O Big Brother não é uma entidade única, mas a representação de uma coletividade. Se Hitler conduziu a Alemanha para a pior das guerras, como deixar de perceber que ele detinha mais de 90% de aprovação do povo alemão? Como não perceber que até o Papa Pio XII e muitos chefes de Estado como Stalin e outros, aceitaram durante muito tempo as ações planejadas e expansionistas do III Reich? Como advogar que a culpa foi de Mao pela Revolução Cultural em que filhos denunciavam pais e os condenavam à morte? Milhões morreram nos gulags soviéticos e podemos em sã consciência dizer que isso se deveu apenas à visão de Stalin?
Quando o mundo está em chamas é tarde para avaliar os estragos, estes foram causados muito antes nos corações e mentes das pessoas. Mesmo o líder mais carismático, mesmo os mais fanáticos não são capazes de mover milhões de pessoas sem que essas o permitam ou incentivem. Se não percebemos a gestação da serpente no ovo não adianta depois lamentar.
A paz é uma conquista diária e isolada de cada um. Se não trouxermos pra nossa família, pra nossa pequena comunidade, pro nosso círculo de amigos uma cultura de tolerância, de harmonia, de boa convivência, de aceitação das diferenças (desde que essas não impliquem o rompimento dos laços de união) estaremos contribuindo involuntariamente para um ambiente de conflito. Conflitos que começam pequenos, como uma briga de vizinhos, disputas comerciais, rixa de torcidas, inflamados debates políticos e podem degenerar em algo muito maior.
Uma guerra não começa grande, ela é gestada ao longo de anos de pequenas rusgas e intolerância. Se de fato você for a favor da paz, não basta afirmá-la em prosa e verso, tem que vivenciá-la no seu dia a dia com pequenas ações e gestos que confirmem sua vocação pacifista. No contato com filhos, cônjuge, irmãos, amigos, parceiros em geral é que se plantam as sementes da paz. Depois, nas conferências da ONU, já é tarde e custaram muitas vidas.

Celso Eluan
12.11.11

Celso Eluan Lima

Diretor

Sol Informática


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