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Tecnologia Compartilhada

Uma das frases lapidares que admiro diz que tecnologia é tudo aquilo que vimos nascer. É quando a onda de espanto provoca ‘ohs’ e ‘ahs’. Imaginem as primeiras pessoas que viram uma transmissão pela TV. O espanto as fez cair o queixo (nem sei se o encontraram depois). Apesar de fascinante imaginar como as imagens são transformadas em ondas eletromagnéticas e passeiam pelo mundo, hoje ninguém se espanta com uma TV ligada nem pergunta como o sinal chega até sua casa. Simplesmente usamos a TV sem questionar, foi incorporada, não é mais tecnologia.
O telégrafo quando lançado modificou o mundo, tornou-o menor. Depois vieram o rádio, telefone, TV, telex, fax, internet e as comunicações mudaram radicalmente nossa forma de ver e compartilhar o mundo. Seguindo-se ao espanto e admiração havia um rito tribal de se unir em torno dessas maravilhas tecnológicas para desfrutar o admirável mundo novo. Famílias e vizinhos uniam-se em torno de rádios pra ouvir e cantar juntos. A Copa do Mundo de 1950, aqui mesmo, uniu o país de ponta a ponta pelas ondas do rádio. As primeiras novelas na TV traziam todos pra sala onde reinava absoluto silêncio pra acompanhar lágrimas e risos. Até os vizinhos menos abastados acompanhavam da janela. Não havia mais o espanto da novidade, mas o ritmo da evolução não era ágil o bastante pra vulgarizar o acesso tecnológico e isso permitiu que durante décadas a tecnologia mais unisse que separasse pessoas.
Era assim com a música. Chamavam-se os amigos pra ouvir os novos discos, LPs de vinil ou mesmo os esquecidos CDs. Havia o espaço destinado à música na sala ou até um ‘quarto de som’ como era comum na década de 70. Antes do Facebook curtia-se e compartilhava-se ao vivo. O telefone, apesar de raro e, portanto caro, era uma identificação da família, a todos se atribuía o mesmo número.
- Menina deixa de namorar no telefone que preciso falar com teu pai, acabou o gás.
Assim foi nesses anos passados, dourados ou não. Ocorre que a aceleração nas descobertas e invenções colocou a tecnologia num ritmo alucinante de competição, provocando uma queda vertiginosa nos preços permitindo sua penetração não mais nas famílias, mas no indivíduo.
A música que antes estava na sala com o rádio ou a vitrola multiplicou os aparelhos pela casa toda, cozinha, quartos e banheiros até; passou pro carro, foi pro walkman, compactou-se no MP3, invadiu celulares e chega onde você estiver, com ou sem internet.
A TV que reinava absoluta na sala, com os poucos canais abertos, também invadiu todos os ambientes e cada um assiste o que quiser. Aquele número fixo do telefone multiplicou-se em celulares e até seu filho lhe manda um torpedo dentro de casa pra dizer que não quer jantar hoje.
A máquina fotográfica, que registrava os encontros e viagens familiares, exigia um ritual que parece pré-histórico de retirar e mandar revelar o filme. Três dias depois íamos ver os estragos e belezas das fotos, que normalmente o pai, senhor de todos os lares, insistia em dominar naquela mágica máquina de congelar o tempo. Hoje se postam mais fotos na internet por segundo do que se produzia em anos nos velhos filmes ASA 100.
O computador da família está quase esquecido no canto. Notebooks, tablets, smartphones trouxeram para o plano individual o reino cibernético em que cada um é o soberano dos seus bits e bytes. Nestes mesmos aparelhos, o conteúdo que antes se dividia entre rádio, TV, telefone, máquina fotográfica, filmadora, jornal, revista, livros, concentra-se e identifica-se com seu dono.
Até os automóveis se popularizaram e não há soluções a vista para tanto congestionamento. Se antes nos prédios ou nas casas só havia uma garagem, o carro da família multiplicou-se enquanto estas mesmas famílias diminuíam de tamanho.
Enfim, o reino do indivíduo na tecnologia sobressai-se sobre a antiga unidade social, a família. Para este mercado a unidade social é mesmo individual, definida por características de grupo como idade, sexo, gosto, hábitos e tudo o mais que o Google possa identificar sobre você e seu novo grupo social.
E a família? Ainda bem que nas redes sociais podemos curtir nossa família. Ainda.

Celso Eluan
22.04.12

Celso Eluan Lima

Diretor

Sol Informática


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