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O Custo Pará

Lugar comum falar do custo Brasil, no jargão jornalístico econômico tem várias frentes: infra-estrutura carente (rodovias, portos, ferrovias), burocracia, corrupção, carga tributária, complexidade da legislação, custos trabalhistas, morosidade do judiciário, etc. Contudo, quem trabalha ao longo de nosso estado se encontra diariamente com o custo Pará.

Desenvolver uma atividade econômica fora da região da grande Belém equivale a um rali pelo deserto. A face mais delicada da empreitada passa pela questão da infra-estrutura. As estradas são mal sinalizadas, raramente estão conservadas e o motorista roda muitos quilômetros sem haver possibilidade de contato. As linhas telefônicas chiam como se estivéssemos contatando com o Oriente Médio e a telefonia móvel ainda está na fase analógica. Espaço em satélite é literalmente algo de outro mundo, tal a impossibilidade de consegui-lo.

O fornecimento de materiais básicos a vida comum: um queijo para o café, materiais de construção civil, uma película para porta de escritório, cheiro verde, são desejos de consumo muitas vezes não satisfeitos.

Achar pessoas para ocupar posições de média complexidade é difícil, achar pessoas para posições estratégicas é impossível. A interiorização dos cursos de terceiro grau ainda é lenta e muito desatrelada com a necessidade das regiões. No sul do Pará, berço da atividade mineral no estado e até no país, é hoje a região que mais cresce no estado e não há cursos para os segmentos mais aquecidos economicamente. Aliás, a oferta de cursos é em áreas tipicamente saturadas.

Junte-se a isto a dificuldade de captar um profissional na grande Belém para trabalhar fora da capital e você terá um vislumbre da dificuldade de preenchimento das posições no interior.

Alugar um imóvel também não é tarefa fácil. Há pouca oferta, a maioria dos imóveis possui uma qualidade questionável e como a demanda é muito superior que a oferta, o custo é alto.

O interessante é que, em algumas regiões do interior do Pará, as perspectivas econômicas são mais que animadoras, sobretudo se levarmos em conta a historia recente do estado. O alarmante é que apesar do cenário econômico, vê-se pouco investimento integrado na solução destes problemas, que certamente retardam um amadurecimento da região e concorrem para uma baixa performance dos negócios lá inseridos.

Em Parauapebas, cidade a 170 km de Marabá ? Sul do Pará ? é raro ver mendigo na rua, certamente a taxa de desemprego é menor que 3%, quem chega encontra trabalho. É um dos poucos lugares do Brasil hoje onde o profissional pode dar-se ao luxo de escolher onde trabalhar. Ser flanelinha é opção e você quase não os encontra. O mercado de trabalho possui um índice de aquecimento de primeiro mundo. Nesta região é comum encontrar empresas locais com mais de 1.000 colaboradores. O visitante que chega em Parauapebas sente a cidade fervilhar.

Esta região com números que mostram uma economia pulsante, entrega resultados diferenciados no Norte e para o Brasil, apesar do custo Pará. Os números da região certamente justificam uma atenção especial, mas a realidade é que vemos um lento movimento de quem tem autoridade e responsabilidade para agir ativamente frente a estas questões.

Este texto é dedicado a todos os aventureiros do Norte, aos que produzem nas regiões ermas do estado, apesar dos desafios apresentados por estas e que contribuem para o redesenho deste cenário com sua força de trabalho.

Nara D´ Oliveira

Diretora

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